sábado, 3 de março de 2012

O dia dela foi verde.




Passou a semana toda pensando nisso. Como será? O que dizer? O que fazer? Tento ou não tento? Confesso-me? Não, ainda não. Ela só tinha certeza de uma coisa, que ia vê-lo. Disse pra si mesma, relaxa. A semana passou sábado belo sábado chegou. E aquele cantinho verde a traiu-a. E ela foi! Nossa que coragem! Que nada, mãos tremendo, fala medrosa toda sem jeito. Na verdade com... todo jeito de apaixonada. Viu-se no ridículo, pura tosqueira emocional. (que da nela e em você).
Chegou! Analisou o lugar. Cor? Certo. Lado direito? Certo. Em frente ao...? Certo, casa certa. Bateu três vezes no portão olhou para o lado, olhou para o outro, olhou pela brecha da grade. Reparou no carro, no cachorro, no violão, cadeira e mesas de plásticos organizados em um canto, reparou no guarda-chuva azul e também no xadrez, no varal e no sofá velho. E mais uma vez bateu no portão. Um taxi chegou, era a vizinha chegando das compras do Mateus, o táxi foi embora e nada dele. O salão em frente abriu e nada. Passou um carro preto e nada. O moreno da casa ao lado do salão saiu, chegou, saiu e foi jogar bola. (como ela sabe disso?! bom... ela perguntou. mentira. ele fala alto RS). E nada dele. Deu 10:00 hs e nada. Até então tava tudo certo, o marcado era 10:40. Nossa que rua movimentada. Passou um casal, o casal voltou e nada. Que tortura ela sentiu. Passou um carro de frete, o frete voltou, uns caras tomaram gosto com ela e nada dele. Ela já sabia... ninguém em casa. Sentou-se na calçada contou os ônibus que passava na avenida e parecia que o asfalto pegava fogo. Viu gente ir e voltar, e essa gente a olhava curiosamente pensando -ela imagina- o que ela faz ai sozinha? Desenhado. Sim ela estava desenhado, ela tinha um lápis, uns papeis e uma mão talentosa. Ela desenhava a casa dele. Recebeu uma ligação nada importante naquele momento angustiante de espera. Carambas me mata logo, pensou ela. Deu 10:50 e nada. Um amigo dela passou.
-Oi!
Oi!
- Você conheci nome não identificado?
Sim! Somos amigos!
O amigo dela bateu no portão, gritou o nome não identificado e nada. Achavam que ele tava na igreja. O amigo dela foi embora, voltou e foi embora e nada.
11:00 hs finalmente ela pode ver aqueles olhos de macaco. E que olhos. Um beijo, outro beijo, mais um beijo, um abraço e um aperto mais não foram de mãos. Finalmente ela matou um ano de saudade. Eles marcaram outro dia. Pra que? Ninguém sabe. Sem comentários.
PS: ela foi feliz... não pra casa! Ate então só foi feliz.